domingo, 22 de maio de 2011


Pintura ao Ar Livre em Itu muito interessante. Adorei participar .....
Esta foi a localidade que escolhi para pintar .
Aqui minha tela , ainda necessitando de alguns retoques .É bem gostoso fazer pintura ao ar livre , mas eu ainda não tenho tanta habilidade , foi uma nova experiencia

PALESTAR NA ALP - SOBRE OS CONTOS DE FADAS


No ultimo dia 9 de maio estive falando para cerca de 80 professores , da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e também da Educação de Jovens e Adultos - EJA frequentam o curso "Literatura, Música, Teatro e a Expressão do Pensamento Humano",publicado em Diário Oficial, como parte das atividades da Academia de Letrasdos Professores - ALP - para o ano de 2011. A maioria desses professores é membro da ALP, um trabalho associado à Academia Estudantil de Letras -AEL, projeto desenvolvido com alunos em diversas escolas da Rede Municipal, orientado pela Diretoria Regional de Educação Penha, falei sobre sobre o conto de fadas , e como não podia deixar de ser sobre falei ainda As bruxas nos contos e sua importancia .
Falei sobre meu trabalho com contos e Arteterapia e do trabalho com mulheres ,
foi um encontro maravilhoso, onde pude passar minha experiencia , sobre os contos como valioso recurso na Arteterapia.
Respondi varias perguntas. Aqui estou com Suely que promoveu o encontro e Naava Bassi minha amiga e autora de livros infantis.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Estou um pouco ocupada , com mil atividade , mas logo posto aqui : minha participação na reunião da ALP e minha participação na Pintura ao ar livre em ITU .... esperem só mais um pouquinho !!!!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Grandes Mães: Mães, avós, mulheres,


Grandes Mães: Mães, avós, mulheres,
Fadas e bruxas nos contos de fadas e os mitos:
Um caminho para o processo da transformação

Falar sobre mães e mulheres em fadas e bruxas é sempre muito gratificante, como afirma Estés, podemos não dar a luz, termos um lindo bebê, mas há mulheres que geram maravilhosa idéias , projetos , há aquelas que ensinam a pensar podem criar escritoras ,pintoras iniciantes , enfim gerar filhos e idéias tem para mim o mesmo valor, pois estas mulheres de uma ou outra maneira são mulheres sabias

Gould ( 2005) no seu livro “Fiando Palha, tecendo Ouro” nos fala sobre o processo de transformação que é inerente a toda mulher, coloca que este processo uma vez iniciado não pode ser detido, estamos sempre caminhando entre o conhecido e o desconhecido. Fala também que os contos de fadas nos mostram o tempo todo este processo transformador. Jovens deixam a adolescência para ser tornarem mães, mães se tornam avós, e assim a transformação se dá

Devemos um dia despertar para a nossa nova realidade, assim como acontece nos contos , se observamos são as mulheres que nos diferentes contos são portadoras da transformação e não os homens , Vocês já haviam percebido isso ?
Falando sobre os contos e mitos, um que me chama a atenção é o mito de Demeter e Perséfone que relata a relação entre mãe e filha, esta relação que lida com perdas e transformações, Demeter quando se vê sem sua filha se muda do Olimpo, e faz com que a terra deixe de dar frutos quando esta afastada da filha, Perséfone depois de ser raptada e viver com Hades volta a terra fica
um período com sua mãe e outro com Hades, ela também se transforma com esta nova situação vivida.

Estés (2007) comenta que Demeter é a Mãe terra que se deixa morrer quando sua filha desaparece, e volta vibrante e alegre quando esta lhe é restituída, ora mães se entristecem e deixam de viver plenamente quando sentem a perda de suas filhas e filhos , quando estes desaparecem , mas temos também que pensar que as mães devem criar seus filhos para que assumam suas vidas forme novas famílias e deixem o ninho materno, assim como os pássaros um dia deixam o seu ninho e partem para uma nova experiência ,

Estés coloca que existe nos mitos e contos a velha que é a Grande Mãe, a grande avó, a que conhece as ervas e a cura. As avós nos contos são aquelas que vão dar o conhecimento aos mais jovens. Estas mulheres cita Estés
( 2007) sempre estão prontas a dar aos jovens , independentes dê serem seres humanos , animais , obras de arte, enfim dar aos que ainda não sabem como viver a vida, é seu lema.

Há um livro super interessante “Histórias da Avó” contos da mulher sabia de varias culturas... Sua autora Mutén (2009) coloca que houve um tempo em que a mulher sabia era tão conhecida, assim como o chão que passamos , sua sabedoria e seu conhecimento eram respeitados, e eram elas que guiavam o seu povo e guardavam a tradição , isso era no tempo do matriarcado , porém com a instituição do patriarcado , esta mulher deixou de ocupar seu lugar, sendo por vezes vista em contos como a mulher má ou a tola.

Mutén (2009) conta vários contos onde estas mulheres são independentes, sábias, bem informadas e principalmente respeitadas por suas comunidades, os contos narrados neste livro nos falam da sabedoria, perspicácia, sagacidade como grandes qualidades destas mulheres.

No meu mestrado trabalhei com a Grande Mãe que tanto pode ser uma fada como uma bruxa, a bruxa é o arquétipo negativo da Grande Mãe, mas nas histórias e contos de fadas elas podem nos mostrar caminhos e nos fazer crescer. Acreditam nisso?

As bruxas, segundo Greer (1994), sempre existiram em todas as sociedades, tempo e lugar. Tornam-se protagonizadas nos contos, em geral pela expressão da mulher velha. A crença na existência destas mulheres acontece de preferência em locais onde não se encontra explicações convincentes e plausíveis para mortes, infertilidade, doenças. Entre essas mulheres, aquelas denominadas bruxas, são por certo as mais velhas, as carrancudas, e as de olhos esbugalhados. A função das bruxas, das xamãs, ou simplesmente da mulher idosa é de grande importância nas sociedades antigas que desconheciam a escrita.

Pode-se afirmar conforme Greer (1994) que a antiga bruxa, é uma figura matriarcal. Agrega em si o princípio da irmandade, que vê o grupo, e sua comunidade acima do indivíduo.

As Grandes Deusas habitam o imaginário coletivo. Acompanhavam os destinos dos homens, ajudando nas diferentes situações que a vida lhes propiciava. Já no século XII estas mesmas mulheres eram denominadas fadas. Exerciam o bem e o mal. Eram ao mesmo tempo angelicais e diabólicas, mantendo a dualidade sempre presente. As fadas nos contos celtas, trazidas da literatura medieval, possuíam o conhecimento da natureza e conheciam também o mundo dos mortos. Enaltecidas pela beleza e sexualidade, estas mulheres, conheciam as metamorfoses e as ervas, os filtros amorosos e os objetos mágicos. Através da metamorfose revelavam - se lindas, ou então velhas de aspecto asqueroso. Portanto, enfeitiçavam os homens e tinham soberania sobre eles.

Barros (2004) expressa que o homem então transpôs para a mulher estes poderes e fascínio. Muitas delas conheciam ervas e as usavam delas para remédios. Assim o conhecimento sobre as ervas, letais, curativas, afrodisíacas, alucinógenas denotavam contato intimo com a natureza e com a arte de curar.

Nos contos de fadas a bruxa é uma figura simbólica podendo receber, portanto muitas e distintas interpretações, sendo que uma seria a Grande Mãe.
O termo “Grande Mãe” também deve ser entendido como o Grande Feminino, que vem a surgir tardiamente na história da humanidade apesar de venerada muito antes de seu aparecimento. Este arquétipo não é constituído somente pela junção dos dois nomes Grande e Mãe, e sim pelos simbolismos contidos nestes dois nomes. A “Grande Mãe” é antes de tudo a mãe terra, a árvore. Aos poucos estes diferentes símbolos vão se unindo ao arquétipo primordial da Grande Mãe, que se manifesta em ritos e mitos. (Neumann, 1974)
Diferentes figuras humanas podem circunstancialmente exercer o lugar da imagem arquetípica perante a mesma pessoa. O papel “Grande Mãe” circula entre as relações dependendo das necessidades do momento e dos vínculos interpessoais manifestos que melhor possam atendê-la. Foram difundidas através de mitos, rituais, fábulas, e religiões nas quais tomam diferentes formas, ninfas, fadas, deusas, bruxas e demônios femininos. Todas representantes do arquétipo da “Grande Mãe” e conseqüentemente do “Grande Feminino”. (Neumann, 1974)

Segundo Chevalier e Gheerbrant (2006), as Grandes Mães foram Deusas da Fertilidade. A Mãe possibilita o nascer, e o morrer. Ao nascer saí-se do seu ventre, ao morrer retorna - se á terra, que também é mãe, que alimenta o ser humano com seus frutos. A mãe carrega o simbolismo de abrigo, ternura, alimentação. Através de seu lado negativo é vista como devoradora. Em relação ao Cristianismo, a Mãe é a Igreja, como local onde se encontram a vida e a graça.

O Arquétipo Materno compreende não somente a mãe real de cada indivíduo, mas também todas as figuras de mãe, figuras nutridoras. Isto inclui mulheres em geral, imagens míticas de mulheres (tais como Vênus, Virgem Maria, (mãe Natureza) e símbolos de apoio e nutrição, tais como a Igreja e o Paraíso.

O arquétipo da “Grande Mãe” corresponde à imagem primordial de mãe. Sintetiza todas as experiências relacionadas à maternidade, acumuladas ao longo do tempo, pela humanidade durante séculos. Von Franz (1990) observa que o arquétipo sempre compõe – se de dois lados: um que é luminoso e outro sombrio. No arquétipo da “Grande Mãe” encontra - se a deusa que representa a fertilidade, e a bruxa como mãe diabólica.

Na sua polaridade positiva a “Grande Mãe” apresenta as qualidades de amor, carinho, proteção, nutrição, e aceitação. Está ligada a todos os impulsos ou instintos benignos, a tudo que acaricia, ao que sustenta, e propicia o crescimento e fertilidade. Seu lado negativo manifesta-se como a mãe terrível devoradora, que seduz e asfixia , abandona e aprisiona. Está ligada à escuridão, e ao mundo dos mortos. A bruxa dos contos é a figura arquetípica da “Grande Mãe”, é a Deusa Mãe negligenciada, abandonada, como também Deusa Terra que é Deusa Mãe, no seu aspecto destrutivo. (Grinberg e Gheerbrant, 2003).

Os contos migram e existem em diferentes países. Sua estrutura, pouco é modificada. Nos contos de versão russa encontra-se Baba – Yaga, como a mãe natureza. Ela é a deusa da vida e da morte. Ela usa uma vassoura e tem um caldeirão. (von Franz 1985) suas características são portanto semelhantes as utilizadas pelas ditas bruxas dos contos europeus.

Acredita-se ser de suma importância que tanto as crianças quanto os adultos, possam ver esta personagem dos contos de fadas, como aquela que possibilita a morte de uma fase da nossa vida para o surgimento de outra, e não somente a mulher má, pois toda a mulher traz consigo uma fada e uma bruxa. Os contos de fadas revelam fadas boas e más. A ambigüidade permanece viva na figura da mulher. No entanto o tempo resgata a variação das ações, mulheres são boas e más em diferentes momentos de suas vidas.

Bibliografia de referência

BARROS, Alvim Maria Nazareth As deusas as bruxas e a Igreja – Editora Rosa dos Tempos – 2004 Rio de Janeiro

CHEVALIER Jean, CHERBRANT Alain – Dicionário dos Símbolos - Editora José Olimpio 20ª edição 2006 Rio de Janeiro

GREER Germaine – Mulher Maturidade e Mudança - tradução Ana Laura Faria de Antezana Ed. Augustus – 1994 – São Paulo -

ESTÉS Pinkola Clarisse Ciranda das mulheres sábias Rocco Editora 2007 Rio de Janeiro

COULD Joan – Fiando palha tecendo ouro Rocco Editora, 2005, Rio de Janeiro

VON FRANZ, Marie – Louise – A interpretação dos contos de fadas –– Paulus.
1990 São Paul0

_________ . A sombra e o mal nos contos de
fadas- – Edições Paulinas 1985- São Paulo

Grandes Mães: Mães, avós, mulheres,